top of page
  • Whatsapp
  • Instagram

Empreender para recomeçar: autonomia e reconstrução após a violência doméstica (Por Rosi Francelino)

10 de jul.
2 min de leitura


Para muitas mulheres, empreender nasce de um sonho. Para outras, nasce da necessidade. E, em alguns casos, o empreendedorismo surge como uma possibilidade concreta de recomeço após uma história de violência doméstica.

A dependência financeira ainda é um dos principais fatores que dificultam o rompimento do ciclo de violência. Muitas mulheres permanecem em relacionamentos abusivos porque não possuem renda própria, acesso aos recursos da família ou condições imediatas de garantir o próprio sustento e o de seus filhos. Nesses casos, a violência patrimonial e econômica também pode aparecer por meio do controle do dinheiro, da proibição de trabalhar, da destruição de bens ou da retenção de documentos.

Por isso, falar sobre empreendedorismo feminino também é falar sobre autonomia, dignidade e liberdade de escolha.

Ao transformar uma habilidade em fonte de renda, a mulher pode recuperar a confiança em si mesma, ampliar sua rede de apoio e construir novos caminhos. Um pequeno negócio, uma prestação de serviço ou a comercialização de um produto podem representar muito mais do que uma atividade profissional. Podem significar independência, segurança e a oportunidade de reconstruir a própria história.

Entretanto, é importante não romantizar esse processo. A mulher que enfrenta ou enfrentou violência doméstica precisa de acolhimento, proteção jurídica, apoio psicológico, políticas públicas e acesso a oportunidades reais. Empreender não deve ser apresentado como responsabilidade exclusiva da vítima, mas como uma das ferramentas possíveis dentro de uma rede de proteção e fortalecimento.

Também é fundamental que grupos de empreendedoras, instituições e empresas estejam preparados para acolher sem julgar. Muitas vezes, uma oportunidade de trabalho, uma indicação, uma capacitação ou uma palavra de incentivo podem contribuir para que essa mulher volte a reconhecer o próprio valor.

Como advogada que atua na defesa dos direitos das mulheres, acredito que informação e autonomia caminham juntas. Conhecer os próprios direitos, identificar as formas de violência e saber onde buscar ajuda são passos essenciais para romper ciclos de abuso e construir uma vida com mais segurança.

À medida que nos aproximamos do mês de agosto, período em que o enfrentamento à violência doméstica ganha ainda mais visibilidade, precisamos ampliar essa reflexão: quantas mulheres empreendedoras carregam histórias de superação que ninguém conhece? E quantas ainda precisam de uma oportunidade para começar de novo?

O empreendedorismo pode não apagar as marcas da violência, mas pode ajudar muitas mulheres a escrever novos capítulos, recuperar sua voz e descobrir que, apesar de tudo, ainda é possível recomeçar. Se você conhece uma mulher que precisa recomeçar, não ofereça julgamento: ofereça escuta, informação, apoio e oportunidades. Compartilhe este artigo para que essa mensagem alcance quem talvez esteja procurando uma saída, uma rede de apoio ou apenas a certeza de que não está sozinha. Empreender pode ser um caminho de reconstrução, mas nenhuma mulher deve percorrê-lo sem proteção e acolhimento.

Precisa de ajuda ou conhece uma mulher em situação de violência?
Precisa de ajuda ou conhece uma mulher em situação de violência?

Em caso de perigo imediato, ligue 190. Para orientação, acolhimento e denúncia, ligue gratuitamente para o 180, disponível 24 horas por dia. Se houver ferimentos, acione o SAMU pelo 192 ou o Corpo de Bombeiros pelo 193.

Não se cale. Você também pode denunciar e ajudar a salvar uma vida.


 
 
 

2 comentários

Avaliado com 0 de 5 estrelas.
Ainda sem avaliações

Adicione uma avaliação
Jucelia Ceia
10 de jul.
Avaliado com 5 de 5 estrelas.

Muitas mulheres já conjeceram ou dentro da família presenciou violência doméstica, são traumas que não se apagam, mas podemos sim romper com ciclos de violência, a melhor estratégia utilizada é falar abertamente sobre essa pauta.

É dolorido passar por isso, mas mais dolorido ainda é fingir que em briga de marido e mulher ninguém mete a colhet!

Curtir

Convidado:
10 de jul.
Avaliado com 5 de 5 estrelas.

Excelente arquivo, parabéns 👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻

Precisamos cuidar umas das outras💪🏻

Curtir
bottom of page