Empreender para recomeçar: autonomia e reconstrução após a violência doméstica (Por Rosi Francelino)
Para muitas mulheres, empreender nasce de um sonho. Para outras, nasce da necessidade. E, em alguns casos, o empreendedorismo surge como uma possibilidade concreta de recomeço após uma história de violência doméstica.
A dependência financeira ainda é um dos principais fatores que dificultam o rompimento do ciclo de violência. Muitas mulheres permanecem em relacionamentos abusivos porque não possuem renda própria, acesso aos recursos da família ou condições imediatas de garantir o próprio sustento e o de seus filhos. Nesses casos, a violência patrimonial e econômica também pode aparecer por meio do controle do dinheiro, da proibição de trabalhar, da destruição de bens ou da retenção de documentos.
Por isso, falar sobre empreendedorismo feminino também é falar sobre autonomia, dignidade e liberdade de escolha.
Ao transformar uma habilidade em fonte de renda, a mulher pode recuperar a confiança em si mesma, ampliar sua rede de apoio e construir novos caminhos. Um pequeno negócio, uma prestação de serviço ou a comercialização de um produto podem representar muito mais do que uma atividade profissional. Podem significar independência, segurança e a oportunidade de reconstruir a própria história.
Entretanto, é importante não romantizar esse processo. A mulher que enfrenta ou enfrentou violência doméstica precisa de acolhimento, proteção jurídica, apoio psicológico, políticas públicas e acesso a oportunidades reais. Empreender não deve ser apresentado como responsabilidade exclusiva da vítima, mas como uma das ferramentas possíveis dentro de uma rede de proteção e fortalecimento.
Também é fundamental que grupos de empreendedoras, instituições e empresas estejam preparados para acolher sem julgar. Muitas vezes, uma oportunidade de trabalho, uma indicação, uma capacitação ou uma palavra de incentivo podem contribuir para que essa mulher volte a reconhecer o próprio valor.
Como advogada que atua na defesa dos direitos das mulheres, acredito que informação e autonomia caminham juntas. Conhecer os próprios direitos, identificar as formas de violência e saber onde buscar ajuda são passos essenciais para romper ciclos de abuso e construir uma vida com mais segurança.
À medida que nos aproximamos do mês de agosto, período em que o enfrentamento à violência doméstica ganha ainda mais visibilidade, precisamos ampliar essa reflexão: quantas mulheres empreendedoras carregam histórias de superação que ninguém conhece? E quantas ainda precisam de uma oportunidade para começar de novo?
O empreendedorismo pode não apagar as marcas da violência, mas pode ajudar muitas mulheres a escrever novos capítulos, recuperar sua voz e descobrir que, apesar de tudo, ainda é possível recomeçar.
Se você conhece uma mulher que precisa recomeçar, não ofereça julgamento: ofereça escuta, informação, apoio e oportunidades. Compartilhe este artigo para que essa mensagem alcance quem talvez esteja procurando uma saída, uma rede de apoio ou apenas a certeza de que não está sozinha. Empreender pode ser um caminho de reconstrução, mas nenhuma mulher deve percorrê-lo sem proteção e acolhimento.

Em caso de perigo imediato, ligue 190. Para orientação, acolhimento e denúncia, ligue gratuitamente para o 180, disponível 24 horas por dia. Se houver ferimentos, acione o SAMU pelo 192 ou o Corpo de Bombeiros pelo 193.
Não se cale. Você também pode denunciar e ajudar a salvar uma vida.
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Muitas mulheres já conjeceram ou dentro da família presenciou violência doméstica, são traumas que não se apagam, mas podemos sim romper com ciclos de violência, a melhor estratégia utilizada é falar abertamente sobre essa pauta.
É dolorido passar por isso, mas mais dolorido ainda é fingir que em briga de marido e mulher ninguém mete a colhet!
Excelente arquivo, parabéns 👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻
Precisamos cuidar umas das outras💪🏻