A maternidade não anula identidade, por vezes, é um convite para se reencontrar na própria imagem.
COLUNA, MODA & ESTILO
A maternidade não anula identidade, por vezes, é um convite para se reencontrar na própria imagem.
12/05/2026 - Rayssa Leite

O Dia das Mães foi comemorado domingo e, com essa data, veio à minha mente a vontade de falar um pouco sobre como as mães se sentem em relação à própria imagem com a chegada da maternidade. Este texto é para você, querida leitora!
Apesar de não ter vivenciado a maternidade, ainda, tive o privilégio de atender algumas mães em meus serviços de Consultoria de Imagem e, durante esses atendimentos, quase sempre escutava a seguinte frase: “Eu olho para as minhas roupas… e não me reconheço mais.” E talvez, em algum nível, você já tenha sentido isso também.
Com a chegada da maternidade, uma nova rotina com prioridades e ritmos aparece. E no meio disso tudo algo acontece silenciosamente: a mulher que existia antes não desaparece, mas, por vezes, acaba em segundo plano.
E então surge aquela sensação difícil de nomear, mas fácil de sentir: em que momento eu deixei de me enxergar? A maternidade transforma, mas não deveria apagar o brilho da mulher que ainda está em você.
Existe uma ideia muito romantizada de que a maternidade, por si só, deve preencher todos os espaços. Como se, ao se tornar mãe, todas as outras versões de você naturalmente perdessem importância.
Mas será que isso é saudável ou será que, aos poucos, vocês foram aprendendo a se colocar sempre depois? A verdade é que a maternidade acrescenta, ela não substitui quem você é, por mais complicado que isso pareça ser!
Você continua sendo mulher. Continua tendo identidade, gostos, preferências, desejos. Mas, sem perceber, muitas vezes, na busca pela praticidade e em uma rotina que não espera, sua identidade vai sendo deixada de lado. E é aqui que a imagem começa a denunciar esse distanciamento.
Quando o espelho não conversa com quem você é mais, o corpo muda. E isso é natural. Mas não é só o corpo. A forma de se vestir muda, o tempo disponível muda, a energia muda. E, diante disso, muitas mulheres entram em um modo automático: usam o que cabe, o que é rápido, o que resolve.
Mas deixa eu te fazer uma pergunta, bem sincera: isso te representa ou apenas te atende? Porque existe uma diferença muito grande entre se vestir para cumprir o dia e se vestir de forma coerente com quem você é. E, quando essa coerência se perde, o desconforto aparece, mesmo que você não consiga explicar exatamente o porquê.
Se reencontrar, nesses momentos, não é voltar ao que era, é construir o que faz sentido agora. Existe um equívoco muito comum quando se fala de imagem após a maternidade: acreditar que “resgatar” significa voltar a ser quem você era antes. Mas não é sobre isso. Você não é mais a mesma, e isso não é um problema. É uma evolução.
A questão é: quem você se tornou merece ser vista? Porque, quando a imagem não acompanha essa nova fase, surge um desalinhamento. E esse desalinhamento impacta mais do que estética, ele impacta presença, autoestima, percepção. Não se trata de ter mais roupas. Se trata de ter roupas que conversem com a sua realidade e com a sua identidade atual.
Talvez você esteja pensando: “mas por onde eu começo?” E eu te respondo com calma: não é sobre mudança brusca. É sobre reconexão. Comece se perguntando: como eu quero me sentir quando me visto? Não é sobre tendência. Não é sobre padrão. É sobre sensação. A partir disso, tudo começa a se organizar!
Você percebe que não precisa de um guarda-roupa cheio, precisa de um guarda-roupa coerente. Que conforto e elegância não são opostos. E que praticidade pode, sim, caminhar junto com intenção.
Às vezes, uma peça bem escolhida muda completamente a forma como você se enxerga ao longo do dia. E não porque ela é especial, mas porque ela faz sentido.
Existe uma ideia perigosa de que autocuidado é excesso. Que é vaidade, tempo perdido ou algo secundário. Mas, na prática, autocuidado é presença, é você se incluir na própria rotina, é não se abandonar no meio das demandas, é se olhar, de verdade. E, muitas vezes, a imagem é o primeiro passo possível. Não exige horas e nem grandes mudanças. Exige intenção.
No fim, não é sobre roupa, é sobre identidade. É sobre não se perder de si mesma, mesmo em uma fase tão intensa e transformadora. É sobre entender que ser mãe é uma das suas versões, não a única.
E talvez, neste momento, o maior gesto de autocuidado não seja comprar algo novo. Mas olhar para si com mais atenção, mais gentileza e mais consciência. Porque a maternidade transforma, sim. Mas a sua essência, essa, continua aí. Só precisa, talvez, ser vista novamente.
A maternidade muda prioridades, perspectivas e até a forma como a mulher se enxerga, mas o tempo sempre será um aliado nesse caminho de reconstrução. Porque, aos poucos, cada mãe aprende a ressignificar não apenas a própria imagem, mas também o valor da mulher que continua existindo dentro dela, agora ainda mais forte, madura e consciente da própria identidade.
Por Rayssa Leite, advogada, pós-graduanda em Fashion Law e Indústria do Entretenimento, membro da Comissão de Direito da Moda da OAB/DF, consultora de imagem e estilo. Autora do livro “Direito da Moda – Jurisprudências no Direito Brasileiro”, disponível em loja.editoracrv.com.br.
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Eu já me senti assim, parecia que por algum tempo eu havia perdido a minha identidade, ser mãe não é se perder de quem vocé é.
Excelente